Informada, antenada, viajada… Izabela Lessa é uma arquiteta que busca referências por onde passa – de Nova York a Copenhagen, pasando por Dresden e Atenas. Depois do fim da sociedade de vários anos com Gisele Taranto, na Progetto, ela segue carreira solo com um escritório recéM-montado em São Conrado, bairro onde também vive. Mineira, mas há vários anos morando no Rio, onde fez faculdade, ela enxerga originalidade e boas doses de descontração nos projetos cariocas. Uma estética abrangente e plural. “Há aqui um grande universo de estilos, cores, tribos. Tudo se adapta, como uma grande metrópole cosmopolita, e essa variedade me inspira”, aponta. Atualmente, é ela quem assina a galeria de artes do Casa Cor, a Casa 11 Photo, que tem curadoria de Heloísa Amaral Peixoto, da H.A.P.

RD: Conte um pouco da sua trajetória. Que projetos você citaria como fontes de inspiração?
I.L: Trabalhei como arquiteta no escritório de Cadas Abranches e fiz estágios com Luiz Paulo Conde (antigo LPC Arquitetura, em Santa Teresa ) e também no DesIgn ARC e Garcia Architects, ambos em Santa Barbara, na Califórnia. Me formei em 1998, na UFRJ e, no ano seguinte, logo depois que conquistamos o prêmio Deca, categoria nacional, resolvemos abrir a Progetto.

Quanto a projetos, poderia citar milhões que adoro. O High Lines, em Nova York, de Diller Scofidio + Renfro (os mesmos do MIS carioca) e o Museu da Acropolis, em Atenas, de Bernard Tschumi são impressionantes.

RD: O que é a boa arquitetura para você?
I.L: Arquitetura que emociona.

RD: Quem te inspira?
I.L: Mies Van der Rohe.

RD: O bom design tem que ter…
I.L: Leveza e funcionalidade.

RD: Que lançamentos você destaca no campo de design mundial?
I.L: Os lançamentos da Moroso são sempre impecáveis e inovadores.

RD: O que você gostaria de projetar?
I.L: Um museu de arte.

RD: Qual é o projeto do momento?
I.L: Museum of Military History, do polonês Daniel Libeskind, em Desden, na Alemanha, que reabre em 15 de outubro depois de 22 anos fechado.

RD: E o lugar que mais te inspira?
I.L: Copenhagen.

RD; Na Casa Cor, sua galeria é uma caixa de vidro espelhada, simples, limpa, mas com uma arquitetura extremamente complexa. De onde veio a inspiração para esse espaço? E como explica o mix elegante de materiais?
I.L: A inspiração veio quando buscava a integração entre visitantes, a arquitetura histórica da casa e as obras de arte, no caso, as fotografiaS. Por isso, abrimos totalmente a fachada da galeria, que fica no jardim, para a área externa, duplicamos o teto com espelho, que mostra o reflexo das pessoas circulando entre os espaços vazios (com o mínimo de móveis possível). As formas limpas tinham o objetivo de não interferir nas obras expostas. A parede central foi pensada para ampliar a área de exposição, mas não queria que funcionasse como uma simples divisória do espaço. Resolvi, então, suspendê-la, para dar a sensação de continuidade e integração. A solução foi a criação de uma nova estrutura metálica para viabilizar o projeto. Os materiais são todos em tons neutros, para não interferirem nas cores e sombras das fotografias expostas: limestone no piso, aço corten na parede e vidro preto na fachada. Por sinal, a fachada, revestida de preto, cria uma “moldura ” para a galeria, que se chama Casa 11 Photo – é ali também que há projeção de trabalhos, por conta de uma película instalada no vidro, de alta tecnologia. Montei ainda, no interior, um nicho iluminado, repleto de livros de fotografia e a mesa, antiga, é do Arnaldo Danemberg.

RD: Vivemos em uma cidade balneário, tropical, a beira mar. Existe um estilo carioca de arquitetura, a seu ver? O que você acha que se adapta ao Rio?
I.L: Como sou mineira percebo claramente uma grande originalidade nos projetos cariocas. O Rio é uma cidade com um mix de universos e estilos variados. Tudo se adapta a essa estética colorida e versátil. Sem preconceitos e com criatividade.