Foram 44 dias de pura badalação _ seriam 46 no total, não fosse a confusão com o Corpo de Bombeiros que fechou o evento durante dois dias por falta de um documento. Mas no computo final a 21ª edição do Casa Cor foi um sucesso, segundo Patrícia Mayer, sócia da 3Plus, organizadora da grande mostra. “Conseguimos atingir nosso objetivo primeiro que era deixar para a cidade um legado arquitetônico importantíssimo, o palacete Linneo de Paula Machado, que reabriu suas portas todo restaurado e lindamente iluminado. Tudo o que ouvia das pessoas era: sempre quis conhecer essa casa por dentro. Nós realizamos esse sonho dos cariocas”, ela comemora.

De fato, as obras de restauração do casarão, que em janeiro será um dos cenários do Fashion Rio e depois vai virar centro cultural da Firjan, foram meticulosamente conduzidas deixando à mostra seus tesouros arquitetônicos, como os azulejos art noveau, as bancadas em mármore, os belos pisos em parquet, o vitral de C. Champigneulle… Atracões à parte do evento que teve entre seus pontos altos a elegância do Grande Hall assinado por Caco Borges, o despojamento chique do Living de Gisele Taranto, a bela sequência de luminárias da Sala de Jantar de Paola Ribeiro, a criatividade dos espaços infantis, criados por Flávio Hermolin (banheiro) e o trio Juliana, Luciana e Mabel (Quarto das Crianças), e a irreverência do Cocktail Lounge de Jairo de Sender (disparado uma das suas melhores participações na mostra). Fizeram falta alguns “pesos pesados” da arquitetura carioca, como Chicô Gouvea e Ivan Rezende. Mas a decisão de arejar a exposição com nomes novos ou ainda pouco badalados no circuito de decoração foi boa. Destaque para Roberta Moura, Paula Faria e Luciana Mabrini com a Suíte do Hospede.

Patrícia Mayer ficou satisfeita com o trabalho dos arquitetos selecionados para esta edição. “Eles compraram nossa ideia de valorizar o passado com um olhar para o futuro. As intervenções contemporâneas nos espaços respeitaram a arquitetura em estilo beaux-arts da mansão. Vi uma unidade em todos os espaços”, analisa. Resultado foi que a maioria dos profissionais conseguiu fechar contratos com novos clientes ainda durante o Casa Cor. O publico prestigiou o evento. Não foram as 70 mil pessoas esperadas inicialmente pela organização do Casa Cor, mas passaram pelo palacete 62 mil visitantes _ cerca de 20% a mais do que no ano passado. Um público que, segundo Patrícia, rejuvenesceu bastante. Se antes a média de idade dos frequentadores oscilava entre os 40 e 55 anos, em 2011 boa parte das pessoas que passaram por lá estava na casa dos 30. “Vi muitos casais jovens, mães com filhos, avós com netos. Sinal de que estamos ajudando a formar um novo público que se interessa por decoração”, diz ela.

Os diversos coquetéis (mais de 40) transformaram a mostra num grande happening quase diário. “Este ano, tanto arquitetos quanto lojistas e patrocinadores fizeram questão de comemorar sua participação na mostra. No final, todo mundo teve seus 15 minutos de fama”, brinca Patrícia. Ano que vem tem mais. E, segundo ela, novos temas entrarão em pauta, como fazer uma mostra só com estúdios ou dedicada à espaços corporativos. Em suma: nos seus 21 anos de vida, o Casa Cor mostrou que ainda tem muito fôlego e vitalidade para se manter firme na posição de melhor evento de decoração do país.