De acordo com  reportagem do caderno Ela, “quem disse que troncos caídos, mortos, queimados não têm beleza? As peças únicas e exclusivas da goiana Gisele Castro, mais conhecida como Gica, provam que não. Ela transforma a madeira em fruteiras, baldes de gelo, sousplats, bowls, mesas, bancos. A história toda começou em 2011, quando foi iniciado um projeto de manejo florestal na fazenda da família de seu marido, às margens do Rio Araguaia. — A beleza natural das madeiras encontradas despertou em mim a vontade de trabalhá-las. Dou vida nova ao refugo, transformando-o em peças ornamentais. Mas procuro sempre respeitar as formas, os aspectos e cores originais. Custei para achar um verniz que não alterasse a cor natural. Meu objetivo é levar a natureza ao ambiente de quem as adquire. Não produzo em série. Cada peça é única — diz Gica. O estilo ecochique das peças de Gica tem feito sucesso no Instagram, onde ela divulga suas criações, sempre com frases para cima e bem-humoradas. Ela explica que trabalha com todo tipo de madeira, mas principalmente com pequi, jatobá, sambaíba e ipê. Agora, anda encantada com os veios que encontra nos troncos de crioli. Ela lembra que, no início, não foi fácil lidar com a madeira. Com o tempo, aprendeu até a identificar quantos anos de abandono o material tem na natureza. — Apanhei muito, principalmente com os acabamentos. Só me dou por satisfeita quando passo a mão e a peça está lisinha, bem lixada — conta ela. Gica mora entre Palmas, no Tocantins, onde fica a fazenda do marido, e Goiânia, onde a filha estuda. Os troncos, muitas vezes, chegam ao seu ateliê carregados por cinco homens. Na hora do corte, ela faz questão de ficar do lado. Às vezes, desenha o que quer na própria madeira. Desde o início, trabalha com o mesmo cortador. Gica diz que o designer Hugo França, conhecidos pelas enormes esculturas de madeira que produz, a inspira. Assim como muitos artistas, ela não gosta de vender suas obras para qualquer um. As considera atemporais e diz que podem ser passadas de pais para filhos. Conta que não se desfaz de alguns xodós: — Tenho umas 40 peças que fazem parte do meu acervo e de que não me desfaço de jeito nenhum. E sou muito criteriosa com as lojas onde minhas peças são vendidas. Elas têm que ter um público que entenda, goste e valorize meu trabalho — diz Gica, acrescentando que alguns de seus funcionários não acreditam que suas obras tenham valor. No Rio, as peças de Gica podem ser encontradas no Studio Grabowsky, no Leblon, e na Conceito All, no CasaShopping. Ela também aceita encomendas pelo seu site (www.gicacastro.com.br)”. Leia mais no jornal O Globo.

Fonte: O Globo/Ela/Reportagem: Jacqueline Costa/29/11/14