De acordo com reportagem do caderno Rio, “a poesia estampada no concreto não virá abaixo quando o último trecho do Elevado da Perimetral for demolido, como parte das obras do plano de mobilidade urbana da prefeitura para a Zona Portuária. O Profeta Gentileza, cuja fama ganhou o país, terá sua memória preservada nas 56 pinturas, que vão da Avenida Brasil — na altura do Cemitério do Caju — à Rodoviária Novo Rio. Três delas, que estão na área de demolição do viaduto, não serão derrubadas: os pilares serão mantidos e apenas a parte superior do elevado — chamada de tabuleiro — será removida. As outras 53 não serão afetadas pelas obras. Uma quarta pilastra pintada por Gentileza, localizada perto da Perimetral, não está em área de demolição. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), responsável pela operação urbana do projeto de revitalização da área, o Porto Maravilha, esse pilar é parte do acesso às alças do Gasômetro, que levam à Via Binário do Porto. Pintadas na década de 1980, as inscrições trazem frases — a mais famosa é “Gentileza gera gentileza” —, que criticam a falta de valores da sociedade moderna. O artista proclamava que só a gentileza e o amor poderiam mudar esse quadro. Em novembro de 2000, os painéis pintados nos 56 pilares foram tombados pela prefeitura. Para Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, o trabalho de Gentileza é uma intervenção urbana poética, já intitulada de “livro urbano”, pois faz um relato ao longo do seu trajeto. — É uma narrativa espacial, que fala de uma cosmologia que ele inventou. É uma forma de mostrar que uma pessoa faz a diferença e pode criar uma obra que vire patrimônio. Outro trabalho semelhante é o do Selarón, com as pinturas na escadaria da Lapa — diz Fajardo, adiantando que não há, por enquanto, nenhum projeto para transformar o local em uma praça”. Leia mais no jornal O Globo.

Fonte: O Globo/Rio/Reportagem: Rodrigo Bertolucci/17/07/14