O caderno Rio trouxe em matéria: “O barulho constante de motosserras num patrimônio público, encravado na Zona Sul do Rio, vem chamando a atenção de quem costuma passear ou fazer atividades físicas no Aterro do Flamengo. Pouco a pouco, arbustos e árvores vão tombando, dando lugar a um solo estéril. Reflexo de um megaprojeto de modernização do espaço para as Olimpíadas, as mudanças — necessárias para a construção de um estacionamento subterrâneo — foram aprovadas por órgãos da prefeitura e do governo federal. Nada menos que 298 árvores na Marina da Glória tiveram seus cortes autorizados pela Secretaria municipal de Meio Ambiente no dia 2 de dezembro. Como contrapartida, está previsto o replantio de 3.082 mudas, não necessariamente dentro da marina. Caberá ao Executivo municipal indicar os locais que deverão receber as novas árvores até março. As obras vêm sendo tocadas pelo grupo BR Marinas, que comprou a concessão da REX, do empresário Eike Batista, em 2 de junho de 2014. Um tapume instalado no estacionamento da marina há um mês acabou por suscitar uma onda de preocupações e críticas. Dono de um veleiro e presidente da Associação de Usuários da Marina da Glória ( Assuma), José Fernandes se diz surpreendido com a autorização para os cortes. Ele reclama da falta de diálogo da concessionária com a entidade e, embora elogie o projeto de revitalização do único atracadouro público da cidade, garante que não tomou conhecimento dos detalhes paisagísticos da proposta. — Há três meses, fomos chamados para uma reunião com o grupo BR Marinas, mas só nos disseram que o projeto já tinha sido aprovado. Não entraram em detalhes. Pela proposta apresentada, tudo indica que vão fazer uma marina espetacular. Somos a favor de melhorias. Não sabemos, porém, o que isso vai trazer de malefício para o Parque do Flamengo. Estou surpreso. Há muito espaço para construir lá sem necessidade de suprimir tantas árvores — afirma. O presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, o arquiteto Washington Fajardo, também se surpreendeu com a grande quantidade de árvores a serem cortadas, mas garantiu que as intervenções “não afetam espécies do projeto paisagístico original”, tampouco ferem as concepções de Affonso Eduardo Reidy — o Parque do Flamengo, onde está a Marina da Glória, é tombado desde 1965. Fajardo lembra que a remodelação da marina foi amplamente debatida com a sociedade civil e passou por diversos conselhos. — O processo de licenciamento foi aprovado por todas as instâncias técnicas, tanto municipais quanto federais. Houve participação da sociedade civil. As obras vão permitir o resgate do bosque de piquenique previsto na proposta original e hoje com vegetação não coerente com a proposta de Burle Marx — disse, acrescentando que os cortes estão mais concentrados na área do estacionamento”. Leia mais no jornal O Globo.

Fonte: O Globo/Rio/Reportagem: Emanuel Alencar e Sérgio Ramalho/05/01/15