Beleza lapidada. Essa é a ideia da joalheria que Rodrigo Barbosa projetou para o Casa Cor. O arquiteto afirma que o conceito do projeto é buscar o luxo pela essência. “Da mesma forma que uma joia parte de uma pedra bruta ou de um metal valioso, que precisa ser lapidado até alcançar o brilho perfeito e a textura ideal, o projeto buscou essa escala na sua concepção”, explica. Para isso, Rodrigo usa acabamentos elementares, como pisos e paredes em cimento, e mobiliário e vitrines em madeira fosca, como na natureza. O brilho vem exclusivamente das joias. “Elas são as vedetes do ambiente”, diz o arquiteto, que contou todos os detalhes do espaço.

Um projeto de luminotécnica criterioso foi criado pela Via Manzoni com a ideia de valorizar ainda mais as joias. Detalhes no teto como rasgos de luz, planos inclinados para aumentar o pé direito e lustres italianos fazem parte da iluminação. Algumas paredes são revestidas com papel de parede da Orlean que lembra o linho. “A presença da trama natural do tecido, do toque rústico do linho, também confere ao projeto a essência do básico, do elementar”, afirma. No piso da Castelato, as bordas são chanfradas como na lapidação de uma pedra preciosa e o encontro delas cria uma paginação em relevo no piso, como se fossem as bordas lapidadas de uma pedra. As mesas de atendimento, da Breton, são feitas com a mesma madeira das vitrines, o ébano rigatto, que tem veios ricos na variação de seus tons, indo do café ao mel.

As paredes revestidas em tecnocimento da Ekko têm o mesmo tom do piso, o que faz com que o ambiente pareça uma caixa. “Tratamos o volume interno da arquitetura como uma caixa monocromática. Dentro dela, há caixas menores, que são as vitrines, de onde nascem as estrelas do projeto, as joias” conta Rodrigo. Ao centro da joalheria uma parede solta com uma vitrine central flutuante é o grande marco do espaço, além de criar a divisão necessária para a criação de um “private room” para receber de forma mais cuidadosa os clientes especiais. Este private room é composto por um mesa central de madeira e três grandes consoles em laca na cor nude equipados com frigobar, cofres e guarda volumes. Sobre estes consoles, um conjunto de seis espelhos antigos com molduras em ouro velho.

A grande porta pivotante da entrada é obra do próprio arquiteto. Além de funcionar como uma vitrine do projeto, ela é o elo de ligação entre o interior e a praça em frente à joalheria, o Lounge da Joalheria. “Preservamos o paisagismo ao redor da construção e aproveitamos para estender o projeto para o exterior destas paredes e criar esta praça. Todo o piso será em pedras vulcânicas negras”, finaliza Rodrigo, que vai fazer da praça um ambiente aconchegante, com poltronas e bancos de área externa bem confortáveis.