Essa dupla reuniu um pouco da sofisticação do mercado paulista com a ousadia das tendências apresentadas em Milão e temperou tudo com o frescor e o despojamento cariocas. Em entrevista ao radar Decoração, Gabriela Eloy e Carolina Travaglini afirmam que o fato de uma ser mais sonhadora e a outra mais metódica resulta numa parceria de sucesso.

 

RD: Por que vocês escolheram essa profissão?
G.E: Desde pequena era facinada por reorganizar os espaços. E influenciada pelo meu pai que é engenheiro civil, comecei a frequentar canteiros de obra muito cedo. Nunca tive dúvida quanto a outras profissões.
C.T: Lembro quando tinha 7 anos de idade e meus pais contrataram um escritório de arquitetura para fazer o projeto do apartamento deles. Fiquei vendo aquelas plantas com sofá, mesa, cadeiras e assim que as arquitetas foram embora comecei a desenhar e a pensar em como seria o meu quarto. Depois desse dia não tive duvidas do que realmente queria para o meu futuro.

 

RD: Como você define seu estilo e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
G.E e C.T: Quando nos juntamos para criar o Studio, a Carolina estava voltando de São Paulo, onde a arquitetura é bem mais sofisticada e eu, Gabriela, tinha acabado de voltar de Milão, onde o design é sempre inovador e ousado. Unindo nosso estilos chegamos ao equilíbrio que hoje acreditamos estar na “medida certa”, ou melhor dizendo, que nos agrada bastante e com uma identidade forte e única.

 

RD: Quais são as vantagens de trabalhar em dupla? Vocês dividem o trabalho de alguma forma específica?
G.E e C.T: A maior vantagem é que podemos focar e nos especializar no que cada uma tem de melhor, melhor vocação e melhor satisfação no que faz. Nos dividimos em áreas, a Carolina virgiana típica, extremamente organizada e metódica, é responsável por toda parte financeira e burocrática do escritório, adora uma planilha, contas e números. Já a Gabriela, sonhadora, desenvolve a parte de criação e projeto, adora viajar nas criações e os desafios de cada novo projeto.

 

RD: De onde vem a inspiração?
G.E e C.T: A inspiração começa a vir a partir de um melhor contato com o cliente, mesclado com o momento que estamos vivendo. Precisamos mergulhar na realidade e na particularidade de cada projeto para que este comece a fluir.  Acreditamos que desta forma atingimos mais facilmente a expectativa do cliente e tornamos todo projeto especial por si só.

 

RD: Forma, função ou emoção?
G.E e C.T: Forma, função e MUITA emoção. Pois é exatamente essa terceira palavrinha que torna o ambiente mais humano e, consequentemente, aconchegante.

 

RD: Qual o estilo das suas casas? O que vocês gostam de ter nelas?
G.E: Minha casa é extremamente despojada, uma arquitetura que te força a se sentir em casa. Não tenho sofá nem cadeiras, e sim chaises, almofadões, tapetes confortáveis e bancos bem largos. Isso altera o padrão (palavra que odeio, por sinal) de receber visitas em casa. Acredito que a partir do momento que abro minha porta para alguém quero que essa pessoa se sinta à vontade e mais próxima de mim.

 

RD: Que projetos estão fazendo atualmente e gostaria de destacar?
G.E e C.T: Na área residencial estamos fazendo bastante projeto para jovens, noivos e recém casados. No cormecial temos algumas lojas bem interessantes.

 

RD: Algum projeto que sonham em fazer e nunca fizeram?
G.E e C.T: Carolina sonha em fazer uma garagem conceito bem diferente, eu (Gabriela) sonho em participar do Programa Brasileirinho, que atua reformando creches. Ele tem como lema: Uma creche comunitária com pouco (ou nenhum!) recurso,  mas desde 2011 aguardo a iniciação de novas obras.

 

RD: Quais vocês acreditam serem as peculiaridades do mercado carioca? Qual o papel ou importância do Rio dentro do mercado brasileiro de arquitetura e decoração?
G.E e C.T: Acreditamos ser o frescor da praia junto com a importância de uma das “capitais financeiras” do país criando uma atmosfera despojada e alinhada.

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
G.E e C.T: Irmãos Campana, Jader Almeida e Sérgio Rodrigues.

 

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
G.E e C.T: Saber escutar e entender cada cliente de uma forma diferente.

 

Foto: Denilson Machado/ MCA Estudio