Ele tem 37 anos e 21 de profissão. Sim, o arquiteto Miguel Pinto Guimarães começou a trabalhar aos 16, antes mesmo de entrar na faculdade. “Comecei como estagiando no escritório do Cadas Abranches, depois fui para o do Claudio Bernardes”, conta. Com “professores” de tamanho quilate, o adolescente precoce terminou virando um profissional de sucesso. Em 2003, abriu seu próprio e movimentadíssimo escritório, o Miguel Pinto Guimarães Arquitetos Associados. Antes disso, porém, enquanto cursava a universidade (se formou em Arquitetura e Urbanismo), foi sócio de Tiago Bernades e Paulo Jacobsen. Aos 19 anos, já assinava junto com o amigo Tiago seu primeiro grande projeto, uma casa em Angra. “Minha história é isso: trabalho, muito trabalho. E eu amo”, conta ao Radar. 

 

RD: De onde vem toda essa paixão pela arquitetura?
M.P.G: Não tem explicação. Não tenho pai arquiteto e nem ninguém da família que me serviu de modelo. Desde moleque sou ligado em arquitetura, gostava de desenhar casas, fazia cidades inteiras. Era a minha diversão.

 

RD: Que projeto você está tocando agora?
M.P.G: A gente agora está tocando o projeto do restaurante Gusto, dos mesmos donos do Duo. Acabei de entregar uma casa incrível em Angra de um casal que queria um lugar para reunir a família, filhos e netos. Eles têm tres filhos já casados e resolveram construir no terreno um bangalô para cada um deles. Virou um verdadeiro resort, com a casa principal (a sede, que tem uma cozinha gourmet maravilhosa), os bangalôs, piscinão, área de lazer e um vistão para o mar. A casa fica em frente à praia. Ficou lindo!

 

RD: Motivo de orgulho?
M.P.G: Participamos do concurso internacional para a criação do projeto do Parque Olímpico para as Olimpíadas de 2016 e ficamos em segundo lugar. Fiquei muito feliz, mais de 60 escritórios do mundo todo participaram da concorrência.

 

RD: O que você mais gosta no seu trabalho?
M.P.G: Gosto de gente, de conversar, ouvir as histórias das pessoas. Eu tenho muito prazer em transformar um sonho, o desejo de alguém em realidade, dar vida àquilo que as pessoas desejam. O meu escritório tem 25 arquitetos. A gente toca vários projetos de uma só vez e eu adoro essa adrenalina do dia-a-dia. E quanto mais trabalho tenho para fazer, mais animado fico. Gosto do desafio, funciono melhor assim, pensando várias coisas ao mesmo tempo. Mas também gosto muito da solidão da hora da criação. Crio meus projetos sozinho ouvindo música ou em casa, no silêncio da madrugada.

 

RD: Você tem um estilo definido?
M.P.G: Não, tento fazer um trabalho atemporal. Aliás, a atemporalidade é uma das mais importantes características do meu trabalho. Crio projetos que possam se modificar com o tempo, que não envelheçam ou fiquem datados. Deixo abertas nas minhas criações brechas para que aquele projeto evolua, se transforme. A coisa mais triste pra mim é entrar numa casa e ver que ela parece “velha”, estagnada, parada no tempo e no espaço.

 

RD: Então, você foge dos modismos de ocasião?
M.P.G: Nada disso, não tenho medo da moda. Não deixo de usar aquilo que está na moda. Só que faço com critério. Modismos vêm e voltam. O piso travertino, por exemplo, voltou às paradas de sucesso. Mas ele é usado em Roma há mais de dois mil anos. Ou seja, é um clássico. Então, uso nos meus projetos.

 

RD: Que especialidade do seu escritório você destaca?

M.P.G: Nós temos uma assinatura de marcenaria muito forte. É um item importantíssimo nos nossos projetos e tudo criado aqui dentro.

 

RD: Como você vê o Rio em termos de arquitetura?
M.P.G: No nosso país a arquitetura pública nunca foi valorizada. Em termos de arquitetura, por exemplo, acho o Rio uma cidade horrorosa. Nada é preservado. As grandes construturas não investem num bom projeto porque as pessoas não estão ligadas nisso. Compram qualquer coisa, não importa se o prédio é bonito ou feio. Por que o construtor então vai se preocupar em gastar mais para fazer projetos legais? Mas agora, principalmente com o aumento dos concursos públicos internacionais, vai se formar uma geração de profissionais cada vez mais ligada nisso. Isso vai ajudar a educar o olhar da população em geral. Acredito que a administração de Eduardo Paes, como nenhuma outra, tem investido nessa área. Percebo uma preocupação em deixar como legado uma cidade esteticamente mais harmoniosa.

 

RD: Como é a sua casa?
M.P.G: Meu apartamento tem filhos, amigos, livros, discos e nada mais… (rsrsrs)

 

RD: Quais os seus sonhos em relação à profissão?
M.P.G: Sou muito irriquieto, não me acomodo, busco sempre o diferente. Se eu estou dominando uma determinada área da arquitetura, começo logo a estudar outras coisas, buscar outros tipos de projetos. Hoje, somos muito bons em projetar casas, fazer decoração de interiores, então, quero agora começar a investir na área urbana. Quero poder ajudar a melhorar nossa cidade em termos de arquitetura.