Uma das profissionais mais requisitadas do mercado, Ana Maria Indio da Costa afirma que o gosto pela decoração surgiu naturalmente da união entre senso estético e convivência com o meio. Autora do livro “Cartas a um jovem decorador”, ela acredita que o sucesso de um projeto é resultado da boa parceria com o cliente, porque a identidade dele tem que estar no universo criado pelo profissional.

RD: Por que você escolheu o design de interiores?
A.M: Aconteceu naturalmente. Nasci numa família ligada à estética e isso desenvolveu em mim um senso crítico muito forte. Sempre fui ligada ao mundo das artes e, por outro lado, gosto de organização. Arquitetura de interior e decoração equilibram forma e função. Casei com o Indio, que é arquiteto, e quando ele passou uma temporada na Europa fazendo um curso de Urbanismo, aproveitei minha viagem para conhecer alguns escritórios de decoração. Guiada por um amigo decorador, visitei as novas lojas de decoração da época. Havia, naquele momento, uma grande revolução na área: o vidro, o aço, a madeira laqueada, os tapetes claros. A decoração tornava-se mais clara, mais leve. Quando voltei da viagem, comecei a trabalhar no escritório do Indio, na área de interiores. Uni a intuição com a prática.

RD: Como você define seu estilo e como ele foi desenvolvido?
A.M: Procuro uma coerência dentro da diversidade. Vivi minha infância numa casa com uma decoração clássica. Minha tendência é a de criar espaços claros, amplos, iluminados e energeticamente saudáveis. Meu estilo é contemporâneo e se flexibiliza de acordo com o cliente. É a personalidade dele que dá o tom do meu projeto. Não imponho, procuro compor.

RD: O que te inspira? Como se dão suas escolhas diante de um mercado com tantas fontes e possibilidades?
A.M: Viajo bastante. Procuro conhecer as novas lojas e os produtos que elas oferecem. Na próxima semana, estou indo para a Bienal de Veneza.

RD: Como você se informa sobre o mercado de decoração? Quais revistas, jornais, sites, blogs e programas de TV costuma acompanhar?
A.M: Leio livros e revistas sobre arte, arquitetura e decoração. Acesso sites e vejo programas de TV sobre decoração. Assino revistas como Interni, Domus, DDN, Elle Decor, Maison de Marie Claire, Coté Sud e também Casa Vogue e Casa Claudia. Frequento feiras internacionais de decoração, entre as quais destaco a de Milão. Faço viagens regulares à Europa e Nova Iorque. Milão tornou-se o centro da decoração. É interessante conhecer as tendências e saber filtrá-las para adaptá-las à cidade em que vivemos.

RD: Quais você acredita serem as peculiaridades do mercado carioca? O que falta nesse mercado?
A.M: O mercado carioca é mais descontraído e descolado. É mais criativo, informal e aberto a novidades. O Rio está na vanguarda, tudo que acontece aqui influencia o resto do Brasil. Falta ao mercado um pouco mais de profissionalismo e organização.

RD: Qual o estilo da sua casa? O que você gosta de ter nela?
A.M: Minha casa é clara, arejada e iluminada. É um reflexo da minha personalidade. Tenho alguns livros e objetos que me acompanham  Gosto de conforto e tecnologia e curto me cercar de livros, revistas e objetos de arte.

RD: Fale um pouco de projetos que você gostou de fazer e dos que está fazendo atualmente.
A.M: Fiz projetos por todo o Brasil, de Carajás ao Rio Grande do Sul. Fazendas na Bahia, casas de praia e, principalemente, projetos no Rio. O que mais gosto são os  projetos residenciais. Fora do Brasil fiz alguns projetos em Paris, Genève e Nova Iorque. Foi muito estimulante o projeto que fiz da sede esportiva do Jockey Clube do Rio de Janeiro, em parceria com o Indio, autor do projeto de arquitetura. Aliás, trabalhamos muitas vezes em conjunto e é sempre muito gratificante. Estou atualmente muito focada na área residencial, com diversos projetos em andamento no Rio e arredores.
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